Eficiência energética através do autoconsumo de eletricidade por energia solar e cogeração nas ETAR

14 February, 2024

Por Fernando Díaz, Diretor de Infraestruturas da Incatema.

Em 1949, a ONU instituiu o dia 14 de fevereiro como Dia Mundial da Energia. Esta iniciativa global convida à reflexão sobre a importância de produzir e consumir recursos energéticos de forma responsável e de inovar para desenvolver alternativas de produção mais eficientes e menos poluentes.

A este respeito, é interessante ter em conta a evolução do projeto de engenharia das novas estações de tratamento de águas residuais (ETAR). Estas instalações podem ser um exemplo claro de infraestruturas orientadas para a eficiência energética e, por conseguinte, para a sustentabilidade ambiental.

No projeto de engenharia das novas ETAR, a eficiência energética da própria instalação é tida em conta, uma vez que a viabilidade e, por conseguinte, a rentabilidade da infraestrutura dependerá em grande medida desse facto. O principal objetivo é otimizar o processo de purificação da água para que, sem perder qualidade no tratamento, o maior custo do processo, que é o consumo de eletricidade, seja minimizado. Existem diferentes formas de o conseguir. Entre as principais estão a aposta em novas tecnologias de purificação, mais eficientes, e a automatização dos processos que irão permitir um maior controlo da instalação e, por conseguinte, uma melhor exploração e manutenção. A automatização, por exemplo, permite manter a operação de depuração ativa 24 horas por dia, detetando os erros de funcionamento no momento e resolvendo-os automaticamente, minimizando assim os tempos de paragem e o reinício em caso de avaria.

Na Incatema também apostamos na conceção de estações de tratamento de águas residuais de autoconsumo através da instalação de painéis solares de alto rendimento. Estes sistemas garantem a disponibilidade de energia fotovoltaica, altamente sustentável, para o funcionamento da central. Adaptar as ETAR à climatologia da zona onde estão localizadas é uma necessidade e, neste sentido, utilizar o recurso da luz solar, ilimitado e gratuito, é uma das chaves para a eficiência energética procurada, em conformidade com o objetivo de desenvolvimento sustentável número 7 da Agenda 2030, que visa a utilização de energia limpa e não poluente.

Por outro lado, o processo de cogeração de eletricidade a partir da utilização do biogás produzido na digestão anaeróbia de algumas ETAR também contribui indubitavelmente para a sustentabilidade ambiental e energética. O aproveitamento energético do biogás gerado no tratamento das lamas é económica e ambientalmente muito atrativo, uma vez que, por um lado, se reduzem os custos de gestão dos resíduos e, por outro, a valorização deste subproduto, convertido em recurso, tem um impacto positivo no ambiente. Assim, as ETAR também reutilizam a energia térmica produzida pelo processo de cogeração para consumo próprio, uma vez que lhes permite manter a temperatura adequada das lamas no interior do digestor anaeróbio. Um outro fator positivo a considerar é que, se for produzida mais eletricidade do que a necessária para o funcionamento da central, esta pode ser disponibilizada para a rede elétrica geral.

O desenvolvimento de instalações cada vez mais sustentáveis exige, obviamente, um maior investimento financeiro. Pode ser uma desvantagem no início, mas a médio e longo prazo proporciona um retorno sobre o investimento que ultrapassa largamente o custo inicial. Quem ganha com todo este investimento não é apenas o operador, mas também o ambiente e o planeta e, por conseguinte, todos nós.