20 Março, 2026
Dia Mundial da Água
Por Fernando Díaz, Diretor da Área de Infraestruturas da Incatema
Todos os anos, a 22 de março, o Dia Mundial da Água convida-nos a refletir sobre um recurso que, sendo essencial para a vida, continua a ser causa de profundas desigualdades no que diz respeito ao seu acesso. Este ano, sob o lema «onde a água corre, cresce a igualdade», o foco recai sobre uma realidade que nós, que trabalhamos no terreno, conhecemos bem: a água não é apenas um recurso natural, é uma infraestrutura social.
Após mais de três décadas dedicadas à conceção, construção e gestão de infraestruturas hidráulicas em contextos complexos, posso afirmar que o acesso à água marca uma fronteira nítida entre desenvolvimento e vulnerabilidade.
Em muitos países emergentes, a água continua a ser uma questão de tempo, de género e de oportunidades. Nos locais onde não existem redes de abastecimento seguras, são principalmente as mulheres e as meninas que percorrem quilómetros para garantir o consumo diário. Nos locais onde não há saneamento adequado, a saúde pública é afetada e as economias locais perdem produtividade.
Por isso, falar de água é falar de igualdade.
Na Incatema, há décadas que trabalhamos com uma abordagem integral do ciclo da água: desde a captação até à depuração e reutilização. Esta abordagem não é apenas técnica; é profundamente social.
A experiência demonstra que as infraestruturas bem concebidas e adaptadas ao contexto local têm um impacto multiplicador. Não se trata apenas de construir uma estação de tratamento ou uma rede de distribuição. O objetivo é garantir a sua sustentabilidade a longo prazo, de transferir conhecimento e capacitar as instituições locais para a sua gestão.
Quando o abastecimento de água é seguro e contínuo, melhora-se a saúde da população, reduz-se a pobreza, impulsiona-se a atividade económica e geram-se oportunidades para todos.
O desafio da equidade hídrica é, hoje em dia, o nosso grande desafio.
O crescimento demográfico, as alterações climáticas e a pressão sobre os recursos hídricos estão a agravar as desigualdades existentes.
Em regiões de África e da América Latina, onde desenvolvemos projetos, a variabilidade climática já está a afetar a disponibilidade de água e a resiliência das comunidades. A resposta não pode ser apenas tecnológica; deve ser sistémica.
Neste Dia Mundial da Água, o lema interpela-nos a todos: «onde a água corre, cresce a igualdade». Mas esse fluxo não ocorre por si só. É o resultado de planeamento, investimento, conhecimento e compromisso. A água pode e deve ser o grande equalizador do século XXI. Para tal, é imprescindível acelerar a execução de projetos, reforçar a cooperação internacional e colocar a sustentabilidade no centro de cada intervenção.
Porque quando a água chega, não enche apenas reservatórios: abre escolas, impulsiona economias e constrói o futuro.