9 Setembro, 2024
Por Ana González, engenheira agrónoma
Todos os anos, a 9 de setembro, comemora-se em todo o mundo o Dia Mundial da Agricultura, uma efeméride que serve para recordar o papel fundamental desta atividade ancestral na alimentação da população mundial, em constante crescimento, cujos recursos são cada vez mais limitados devido às alterações climáticas.
As consequências deste fenómeno -as alterações climáticas- afetam particularmente a África, que se vê obrigada a enfrentar um desafio crítico: como alimentar uma população em rápido crescimento (estimada pelas Nações Unidas em 2,5 mil milhões de habitantes até 2050) e, ao mesmo tempo, garantir que a agricultura, o seu pilar económico, seja sustentável a médio e longo prazo. Isso porque a agricultura comercial sustentável é fundamental não só para satisfazer a elevada procura de alimentos no continente, mas também para impulsionar o desenvolvimento económico, reduzir a pobreza e atenuar os efeitos das alterações climáticas.
Em Africa, são numerosos os desafios que se colocam à agricultura para que possa ser melhorada e alcançar a sustentabilidade. Um dos principais é melhorar o acesso aos recursos financeiros, principalmente para os pequenos agricultores, uma vez que, sem financiamento, dificilmente se pode investir em fatores de produção de qualidade, maquinaria e tecnologias avançadas. Daí a importância das entidades internacionais, como o Banco Mundial, no financiamento de programas de desenvolvimento da agricultura comercial, como é o caso de Angola, com o apoio técnico da Incatema.
Outro dos grandes desafios é a existência de uma infraestrutura de transportes eficiente. Atualmente, a falta de estradas adequadas e de sistemas de transporte eficientes torna dispendiosa e difícil a deslocação dos produtos agrícolas das zonas rurais para os mercados urbanos e de exportação. O mesmo se aplica à cadeia de frio: a falta de instalações de armazenamento e de processamento pós-colheita conduz a perdas significativas, principalmente em produtos perecíveis, afetando a rentabilidade da agricultura comercial.
Necessidade urgente na transferência de tecnologia e na superação do défice de conhecimentos
É urgente a adoção de tecnologias agrícolas modernas, nomeadamente a implementação de uma irrigação eficiente, necessária nos países emergentes do continente africano. Estas tecnologias permitiriam aos agricultores otimizar a utilização de recursos limitados, assegurando que a agricultura não só seja viável no presente, como também resiliente e próspera no futuro. A aplicação da irrigação controlada ou irrigação gota a gota torna-se essencial para enfrentar os atuais desafios da escassez de água e das alterações climáticas, bem como para aumentar a produtividade agrícola e a segurança alimentar, conservar os recursos hídricos e melhorar a sustentabilidade a longo prazo.
A aplicação de inovações tecnológicas conduz diretamente a outro desafio: ultrapassar o défice de conhecimentos. Em geral, existe um défice de formação especializada e adequada dos pequenos agricultores em técnicas agrícolas avançadas, gestão de culturas e práticas sustentáveis, o que limita a sua capacidade de maximizar a produtividade.
Estes são apenas alguns dos desafios que a agricultura em África enfrenta para se desenvolver de forma sustentável. Para os superar, será necessário que os governos, empresas e organizações não governamentais trabalhem em conjunto, através de parcerias público-privadas, numa abordagem holística que inclua o investimento em infraestruturas, acesso ao financiamento, formação dos agricultores e adoção de tecnologias adequadas. Além disso, é essencial enfrentar os desafios das alterações climáticas e da sustentabilidade ambiental para garantir que a agricultura seja não só produtiva, mas também resistente e capaz de sustentar o crescimento económico e social a longo prazo.