5 Junho, 2024
Tribuna de Fernando Díaz, Diretor de Infraestruturas da Incatema
No dia 5 de junho celebra-se o Dia Mundial do Ambiente com o tema “As nossas terras. O nosso futuro”. E é o futuro que nos preocupa, e muito, devido à atual situação resultante das alterações climáticas que enfrentamos. Os países emergentes são os que mais sofrem, uma vez que a falta de boas infraestruturas hídricas e energéticas está a provocar um desequilíbrio ambiental, aumentando o seu stress hídrico. Muitos destes países estão a passar por períodos generalizados de secas mais prolongadas com, entre outros fenómenos, chuvas mais torrenciais, desertificação dos solos, contaminação dos recursos hídricos (rios, lagos, ribeiros e lençóis freáticos), quebras de colheitas ou inundações devido à subida do nível do mar.
A principal preocupação no mundo em geral e nestes países em particular, é a perda de recursos hídricos a um ritmo tão acelerado que coloca em sério risco 40% da população mundial que vive em países com dificuldades de acesso a água potável de boa qualidade e que não dispõem de infraestruturas para o tratamento das águas residuais provenientes das habitações, da indústria, da pecuária e da agricultura.
Algumas das ações para tentar reduzir estes riscos consistem na utilização adequada dos recursos hídricos naturais, o tratamento correto das águas residuais e a promoção da utilização de energias renováveis. Estas ações para melhorar as infraestruturas hídricas e energéticas resultam numa clara melhoria da qualidade de vida das pessoas e do ambiente.
Por esta razão, é necessário realizar investimentos adequados em infraestruturas hídricas, tanto no abastecimento de água (redes de abastecimento, estações de tratamento de água potável, estações de dessalinização) como no saneamento (redes de esgotos, estações de tratamento de águas residuais), sem esquecer a otimização dos métodos de irrigação das culturas, de modo a evitar o desperdício de água.
A qualidade da água pode ser melhorada reduzindo a poluição, eliminando as descargas, minimizando a libertação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo a percentagem de águas residuais não tratadas e aumentando significativamente a reciclagem e reutilização, conduzindo a uma utilização eficiente dos recursos hídricos em todos os setores e garantindo a sustentabilidade da captação e do abastecimento de água doce.
Para a otimização do abastecimento de água potável é necessário conceber uma rede de abastecimento com captações sustentáveis, estações de tratamento e redes de distribuição que ponham termo à extração indiscriminada de água do subsolo através de poços, que esgotam as reservas e provocam a contaminação dos lençóis freáticos, ou através do desvio de água dos rios com captações excessivas, que reduzem o caudal de água e aumentam a contaminação a jusante. A este respeito, a Incatema trabalha há 25 anos em África e na América Latina em vários projetos no domínio da água. Exemplos disso são as estações de tratamento de água potável (ETAR) que executámos nas cidades senegalesas de Foundiougne, Kédougou e Lymodak, ou a ampliação e modernização do aqueduto de Navarrete, que estamos atualmente a realizar na República Dominicana e que irá melhorar a qualidade da água em sete municípios.
Para evitar a contaminação por águas sanitárias, as descargas não controladas de águas usadas que provocam grande poluição nos rios, lagos, lençóis freáticos, mares e os terrenos onde são descarregadas devem ser evitadas. Isto consegue-se através de uma rede de esgotos que recolha as águas residuais e as leve para uma estação de tratamento, onde são tratadas, para poderem ser devolvidas ao ciclo natural da água em condições ótimas de salubridade. Um exemplo disso é o emissário submarino de Cambérène, no Senegal, que permite completar, por meios naturais, o processo de tratamento das águas residuais da ETAR situada na mesma localidade. Ambas as infraestruturas foram projetadas e executadas pela Incatema.
Em última análise, o objetivo é proteger e restaurar os ecossistemas relacionados com a água, incluindo florestas, montanhas, zonas húmidas, rios, lençóis freáticos e lagos.
A outra ação fundamental para tentar reduzir estes riscos ambientais é trabalhar para atingir as metas do ODS 7 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas) até 2030, o que exige o investimento em fontes de energia limpas, como a solar, a eólica e a térmica, melhorando a produtividade energética.
Atualmente, os países em desenvolvimento utilizam quase exclusivamente energias fósseis (petróleo, carvão e gás) que poluem e aquecem a atmosfera e contribuem para o aumento a temperatura do planeta. Além disso, em muitos casos, a cadeia de abastecimento falha, provocando a falta de energia durante muitas horas por dia e, nas aldeias distantes das grandes cidades, a infraestrutura de energia não é suficiente, deixando os seus habitantes sem acesso à eletricidade e à qualidade de vida que lhe está associada, dificultando o acesso à educação, aos cuidados de saúde e às oportunidades económicas.
Num mundo que se debate com alterações climáticas, as energias limpas reduzem as emissões e têm a capacidade de distribuir eletricidade a comunidades que não têm acesso a fontes de energia, pelo que temos de abandonar a dependência dos combustíveis fósseis e investir mais em fontes de energia limpas, acessíveis, económicas, sustentáveis e fiáveis.
A ligação entre energia limpa, desenvolvimento socioeconómico e sustentabilidade ambiental é crucial para resolver os problemas com que se confrontam as comunidades vulneráveis em todo o mundo.
As fontes de energia renováveis, que se encontram em abundância no nosso ambiente, quer sejam fornecidas pelo sol, pelo vento, pela água, pelos resíduos ou pelo próprio calor do Planeta, são renovadas pela própria natureza e emitem poucos ou nenhuns poluentes ou gases com efeito de estufa para a atmosfera e, ao diminuir ou eliminar a dependência das importações de combustíveis fósseis, permitem que os países diversifiquem as suas economias, ao mesmo tempo que impulsionam o crescimento económico inclusivo, criam novos empregos e reduzem os riscos de pobreza. Os investimentos em energias renováveis terão a sua compensação. Só a redução da poluição e dos impactos climáticos negativos poderia poupar ao mundo até 4,2 biliões de dólares.
O custo inicial da implementação de todas estas ações pode ser assustador para muitos países que não dispõem dos recursos técnicos e financeiros necessários para as levar a cabo e só pode ser alcançado através de uma maior cooperação internacional, com a prestação de apoio aos países emergentes.
Não podemos esquecer que o desequilíbrio ambiental em qualquer zona do planeta nos afeta a todos, tendo em conta que o clima está globalmente interligado e que as nossas terras são o nosso futuro.