Incatema finaliza estudo sobre a cadeia de valor do ananás em Angola

1 March, 2024

A Incatema realizou um estudo sobre a cadeia de valor do ananás em Angola, um produto estratégico para o desenvolvimento da agricultura comercial deste país africano, preocupado em atenuar o défice entre a produção e o consumo interno.

De acordo com os dados analisados pela Incatema, a cadeia de valor do ananás destinada ao consumo interno em Angola está bem estruturada e é funcional, tanto para as explorações comerciais como para as explorações familiares, com preços competitivos e remuneradores e margens de lucro para os produtores.

No entanto, é pouco provável que haja um crescimento significativo das exportações de ananás a partir de Angola, dada a forte presença de multinacionais francesas e americanas firmemente implantadas nos principais países consumidores da Europa, com modelos de negócio integrados que incluem plantações, centros logísticos e contratos com as maiores cadeias de hipermercados/supermercados e com o canal HORECA.

Este relatório faz parte de uma série de estudos que a empresa desenvolveu no âmbito da assistência técnica para a promoção do Diálogo Público/Privado no âmbito do Programa de Desenvolvimento da Agricultura Comercial em Angola (PDAC), com financiamento do Banco Mundial e da Agência Francesa de Desenvolvimento.

Estes estudos, como o da cadeia de valor do arroz de que já falámos aqui, prosseguem a análise de culturas cujo desenvolvimento pode ser estratégico em Angola, dado que existe um forte défice de produção agrícola no país. De acordo com dados do Banco Central, em 2022 Angola importou mais de 2 mil milhões de dólares em géneros alimentícios, o que representa um aumento de 40% em relação a 2021.

De acordo com Adelaida Pérez Milán, Diretora de Consultoria da Incatema, "apesar de Angola ter estabelecido a autossuficiência alimentar como uma das suas prioridades nacionais, o país continua a depender fortemente das importações. O défice da produção agrícola é uma preocupação crescente para o Governo angolano, uma vez que obriga o Estado a recorrer ao mercado externo, gastando quantias significativas em divisas e, consequentemente, enfraquecendo a posição das suas reservas.